Paralympic Games: It's done! Portugal's 100th medal!

Sandro Baessa conquista a prata nos 150m T20 com um recorde nacional, enquanto Djibrilo Iafa garante o bronze no judô (-73 kg J1) com um 'wazari' 58 segundos antes do final, marcando a celebração do centenário de Portugal.  Quando ouvi o meu treinador [Jerónimo Ferreira] gritar: 'Está feito!', não acreditei", disse o judoca Djibrilo Iafa, com um sorriso radiante, depois de garantir o bronze na categoria J1 -73 kg (cegueira total) nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Esta não foi apenas a primeira medalha paralímpica de judô para Portugal, mas também a histórica 100ª do país (27 ouros, 31 pratas, 42 bronzes) no evento, após a prata de Sandro Baessa nos 1500m T20 anteriormente.

Só nesta edição, a equipa portuguesa já alcançou seis pódios (2 ouros, 1 prata, 3 bronzes), com os Jogos a terminarem amanhã.

"A luta foi muito equilibrada. Ele estava sempre na defensiva, bloqueando meu judô mais dinâmico e as técnicas que eu havia preparado com meu treinador, então tive que me adaptar. Estes são os melhores do mundo e temos que nos ajustar aos desafios. Estou muito feliz e Portugal merece parabéns", acrescentou Djibrilo. Ele continuou explicando como a partida decisiva contra a brasileira Harley Arruda foi vencida com um wazari apenas 58 segundos antes do final, apesar do barulho ensurdecedor na Arena Champs de Mars. 

Até então Iafa, que havia sido 9.º em Tóquio 2020, superara o turco Gokce Yavuz (ippon), perdeu ante o alemão Lennart Sassa (ippon), para depois, na repescagem, assegurar que tinha hipótese de sonhar com o 3.º lugar ao bater o francês Armindo Rodrigues, por ippon, em escassos 21s.

«Não foi só mérito meu, é também do meu clube [onde é treinado por Fernando Seabra], dos mestres, da minha PT Vanessa Costa, da federação, do Comitê, de todos», fez questão de realçar Djibrilo que, a partir daí, e apesar de toda a felicidade passou a estar mais preocupado com a mãe. «Dedico esta medalha a Portugal inteiro, à minha família, e em especial à minha mãe. Coitada, acho que não conseguiu dormir. Quando sair daqui tenho de lhe ligar para a descansar».   

No Stade de France, Sando Baessa, atribuía grande parte do sucesso para a prata conquistada nos 1500m T20 à estratégia que traçara para a prova em que bateu o recorde nacional ao registar 3.49,46m. Apenas superado pelo britânico Ben Sandilands, que fixou um novo máximo mundial de 3.35,40, e à frente do americano Michael Branningham (3.49,91), que ocupou o último degrau do pódio.

«Como não tenho tanta resistência como os meus adversários, o que procuro fazer é acompanhá-los o máximo possível. Depois, como sei que tenho uma boa ponta final, ataco. Sabia que nos últimos metros iria conseguir aproximar-me dos da frente e, quem sabe, ultrapassá-los. Mas depois senti que conseguiria apanhá-los», disse o atleta do Clube de Futebol de Oliveira do Douro, que não resistiu à emoção do momento. «Quando terminei entregaram-me a bandeira e fui logo ter com o Lenine [Cunha]. Eu que não sou uma pessoa de chorar, não consegui aguentar e comecei logo a chorar abraçado ao Lenine. É difícil de descrever, é um sentimento brutal», completou  

Tendo terminado em Tóquio-2020 em 12.º, Baessa somou em Paris a segunda medalha do atletismo paralímpico luso, depois do ouro de Miguel Monteiro no lançamento do peso F40, mas a 56.ª no historial da modalidade em Jogos Paralímpicos.

No 10.º dia de competição, destaque ainda para o 7.º lugar de Ana Filipe no salto em comprimento T20 (deficiência intelectual) ao alcançar 5,48m no terceiro salto (5,35, 5,42). Os três reservados às oito melhores da final foram todos nulos. No Rio-2016 Ana terminara em 9.ª e em Tóquio-2020 no 6.º lugar.

Na natação Tomás Carneiro ficou a 15 centésimos de passar à final dos 100 costas S10, onde foi 10.º com 1.04,66m. No atletismo Carolina Duarte apurou-se para a final de hoje dos 400m T13 com 55,99s, melhor marca das eliminatórias, e Norberto Mourão (55,59) e Alex Santos (54,87s), na canoagem, garantiram as meias-finais de 200m KL2 e 200m VL1, respetivamente.

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